segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

DITADURA MILITAR (PARTE II)



"Na noite de 31 de março de 1964, eu percebi que a classe operária estava isolada. E ia ser derrotada da forma mais desmoralizante possível: sem luta. E percebi que quem assumisse a responsabilidade de levar a classe operária à luta cometeria um crime. Os generais queriam fazer no Brasil o mesmo que foi feito na Indonésia no ano seguinte: um banho de sangue."
(Luís Carlos Prestes)

Com o Golpe Militar consolidado, restou aos oposicionistas duas linhas de combate: uma política (o PCB, que em 1966 constrói uma frente de "direita à esquerda" para a derrubada pacífica da ditadura militar com o seguinte pensamento: "fomos derrotados politicamente, portanto, podemos derrotá-los politicamente") e outra militar (liderada pelo PCdoB, que sempre foi radical). A segunda via foi a que mais atraiu os jovens, e foi a responsável por tudo o que se seguiu de ruim. Centenas de militantes com alguma ligação com o PTB de Leonel Brizola e João Goulart partiram pra o Uruguai para organizar uma resistência armada. Sob a liderança de Brizola, estes estavam interessados em fazer retornar Jango ao poder. Mas Brizola pediu ajuda a Fidel Castro, em Cuba, através de Herbert de Souza, o "Betinho". E aí então Cuba e a União Soviética assumiram os esforços de guerrilha, com objetivos menos nobres. Se por um lado tínhamos a CIA ajudando os militares brasileiros, por outro tínhamos a KGB (animada com o sucesso da Revolução Cubana) e Cuba injetando dinheiro nos partidos comunistas brasileiros.

"A atuação cubana em relação ao Brasil em termos militares - treinamento de brasileiros e concepção de luta guerrilheira - tiveram dois momentos distintos: na primeira fase, a coordenação de Fidel e Che na ajuda e treinamento dos militantes das Ligas Camponesas com o apoio direto e discreto da China (1962). A partir do golpe militar e com a destruição dos planos de Julião e Brizola, Fidel tomaria as rédeas desse processo e se tornaria, especialmente em relação ao Brasil, seu principal formulador."

(Luis Mir; A Revolução Impossível (uma história da luta armada da esquerda no Brasil))
Muitos estudantes partiram pra Cuba, como José Dirceu (Ministro da Casa Civil do governo Lula, hoje presidiário), para aprender táticas de revolução e guerrilha. Outros foram à União Soviética, como o jornalista Ancelmo Gois, para receber doutrinamento político direto com a KBG. Todos os que saíram receberam treinamento em guerrilha urbana, doutrinação, contra-informação, forma de governo, etc, portanto é muito difícil acreditar quando alguma dessas pessoas dizem que "estavam lutando pela democracia" (deve ser parte do treinamento).

O artigo 1º do estatuto do VAR-Palmares (grupo guerrilheiro formado pela união de dois outros grupos, o VPR e o COLINA, do qual fazia parte Dilma Rousseff) deixava bem claro: "A VAR-Palmares é uma organização político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo".


"Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática."

(Daniel Aarão Reis; ex-militante do MR-8, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense e autor de "Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade", em declaração ao jornalista Elio Gaspari)

Carlos Marighela, em seu Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, explicava como deveria ser a luta armada visando a implantação do comunismo no Brasil:

a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.
b. A expropriação dos recursos do governo e daqueles que pertencem aos grandes capitalistas, latifundiários e imperialistas, com pequenas expropriações usadas para o mantimento do guerrilheiro urbano individual e grandes expropriações para o sustento da mesma revolução. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão...


Em outras palavras: a cultura do roubo e do assassinato. É como se eu decidisse que meus objetivos são mais importantes que a vida e as posses de uma parcela de pessoas que tratamos como inimigos. Vou juntando pessoas ao meu grupo e com o tempo a lista de inimigos vai aumentando e até mesmo antigos aliados passam a ser meus inimigos, e em pouco tempo será permitido roubar, matar e punir TODOS os que achássemos que são contra nossos objetivos. Vimos isso acontecer na Revolução Russa e na Chinesa, e também no Nazismo. Ou seja, estamos diante de uma perfeita "DEMOCRACIA COMUNISTA/NAZISTA".

"...não há país onde, depois de instaurado um regime comunista, não tenha sido imposto um sistema de terror. Podem variar os mecanismos do exercício do terror, a quantidade e a qualidade das vítimas, mas está em todo o lugar, temos que repetir com força, em todo o lugar, a idêntica ferocidade, a arbitrariedade e a enormidade no uso da violência para a manutenção do poder."

(Norberto Bobbio, filósofo italiano, inspirador da "nova esquerda", em entrevista ao jornal italiano L’Unitá).
Em dezembro de 1967 a Ação Libertadora Nacional (ALN) - liderada por Carlos Marighela - começou assaltos com a finalidade de "expropriação" de fundos. Até julho de 1969 foram atacadas mais de 31 agências bancárias e um carro pagador. O que se devia não só à ALN, mas também a outras organizações clandestinas. Uma das mais importantes ações de "expropriação" foi executada pelo grupo VAR-Palmares, o roubo de um cofre da residência de Ana Capriglione, amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Retirado da mansão e levado para um aparelho, o pesado cofre revelou que a operação valera dois e meio milhões de dólares. Um resultado e tanto, pois a VAR-Palmares não mais precisaria arriscar-se em assaltos a bancos. O grupo emitiu o seguinte comunicado à agência France Press:

"Depois de uma longa investigação, localizamos uma parte da famosa ‘caixinha’ do Adhemar de Barros, enriquecido por anos e anos de corrupção. Conseguimos US$ 2,5 milhões. Esse dinheiro, roubado do povo, a ele será devolvido."

Não só não foi devolvido como, aparentemente, a turma continua "expropriando" por aí, em outras áreas.
De 1964 a 1968 diversos atentados terroristas com bombas eclodiram por todo o país. Dois deles contra o jornal "Estado de S. Paulo", curiosamente. Em 1 de julho de 1968, membros do COLINA assassinaram a tiros um oficial no bairro da Gávea, acreditando ser o oficial boliviano que havia matado Che Guevara, quando na verdade tratava-se de um major do exército alemão, Edward Ernest von Westernhagen. Diante do equívoco, o COLINA não assumiu a autoria do atentado.

Em 26 de junho de 1968 três membros de um grupo de onze militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) lançaram um carro-bomba, sem motorista, contra o Quartel General do II Exército, no bairro de Ibirapuera, em São Paulo. A guarda disparou contra o veículo, que bateu na parede externa do Quartel General. O soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos, que estava de sentinela neste dia, foi em direção ao carro, pensando tratar-se de um acidente. A carga com vinte quilos de dinamite explodiu em seguida, atingindo uma área de raio de 300 metros e estraçalhando o corpo de Kozel. Outros 6 militares ficaram gravemente feridos.

No dia 4 de setembro de 1969 os militantes da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), capturaram o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, com o intuito de trocá-lo por presos políticos (entre eles José Dirceu). Dessa ação participaram o ex-Deputado Federal Fernando Gabeira e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, Franklin Martins. Ao contrário de seus colegas, Gabeira admite que não lutava pela "democracia", e sim por uma ditadura do proletariado. Assim também o fez Eduardo Jorge, candidato a presidente em 2014.

Em 5 de fevereiro de 1972, militantes da ALN, VAR-Palmares e PCBR assassinaram a tiros o marinheiro inglês David Cuthberg, que se encontrava no país para as comemorações dos 150 anos de independência do Brasil. Após o atentado foram encontrados panfletos que informavam que o ato teria sido decisão de um "tribunal", como forma de solidariedade à luta do Exército Republicano Irlandês contra o domínio inglês. Ou seja, um completo inocente morto ao acaso para provar um ponto ideológico que não faria nenhuma diferença na luta pelo poder. E tudo isso decidido por um "Tribunal" com poder de vida e morte. Já imaginou como seriam nossas vidas nesse paraíso socialista?

Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de São Paulo utilizou a expressão "ditabranda" para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar, a ditadura brasileira teria sido "mais branda" e "menos violenta" que outros regimes similares na América Latina. É como certos fanáticos de um partido que, pra justificar os roubos (e rombos) nas contas públicas dizem que "os do partido tal faziam pior". Não se justifica violência dizendo que se está sendo menos violento que outros monstros. É sempre bom lembrar que a guilhotina foi inventada como uma forma "mais humana" de se executar um prisioneiro, porque as técnicas antigas eram mais violentas. O que não tornou a Revolução Francesa menos desumana.

O regime militar brasileiro também planejou atentados no intuito de incriminar a Esquerda: o mais conhecido desses foi o Atentado ao Gasômetro. A idéia era criar um clima de terror para encobrir o sequestro e assassinato de quarenta figurões da política brasileira, entre eles Carlos Lacerda, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek. Mesmo no fim da ditadura (quando o próprio governo militar já ensaiava uma abertura política) alguns militares mais radicais não desistiram de fazer atentados em nome da esquerda (numa tentativa desesperada de se manterem "úteis" no poder): O atentado ao RioCentro - onde dois militares que tentavam plantar uma bomba dentro de um edifício acabaram detonando ela dentro de um carro - foi o exemplo mais claro disso.

Há quem ache que as coisas só começaram a ficar pesadas depois de 68, mas mesmo antes já havia mortes por tortura pelos militares: O corpo de Manoel Raimundo Soares, sargento do Exército com idéias nacionalistas e militância na organização dos suboficiais, foi encontrado boiando, com mãos e pés atados, nas águas do rio Jacuí no dia 24 de agosto de 1966. O episódio ficou conhecido como o "Caso das Mãos Amarradas". Foi um dos primeiros casos de tortura e morte por parte dos órgãos de repressão sobre o qual se teve notícia na época.

Com a escalada de violência de ambas as partes, em 1968 instaurou-se o famigerado Ato Institucional nº 5, mais conhecido como o "AI-5", que definiu o momento mais duro do Ditadura Militar, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime (ou como tal considerados). Isso também ocorreu pois os militares viam com preocupação os movimentos nacionais se associando contra o regime. No decorrer de 1968 a Igreja Católica começava a ter uma ação mais expressiva na defesa dos Direitos Humanos (com Dom Hélder Câmara no Recife e Paulo Evaristo Arns em São Paulo), e lideranças políticas cassadas buscavam se unir visando a um retorno à política nacional. A marginalização política que o golpe impusera a antigos rivais - Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart - tivera o efeito de associá-los, ainda em 1967, na Frente Ampla, cujas atividades foram então suspensas pelo ministro da Justiça, em abril de 1968. Uma greve dos metalúrgicos em Osasco, em meados do ano (a primeira greve operária desde o início do regime militar), também sinalizava para a "linha dura" que medidas mais enérgicas deveriam ser tomadas para controlar as manifestações de descontentamento de qualquer ordem. A gota d'água para a promulgação do AI-5 foi o pronunciamento do deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, na Câmara, nos dias 2 e 3 de setembro, lançando um apelo para que o povo não participasse dos desfiles militares do 7 de Setembro e para que as moças, "ardentes de liberdade", se recusassem a sair com oficiais.

O AI-5 autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos e suspender a garantia do habeas-corpus. No preâmbulo do ato dizia-se ser essa uma necessidade para atingir os objetivos da revolução, "com vistas a encontrar os meios indispensáveis para a obra de reconstrução econômica, financeira e moral do país". Ironicamente não é muito diferente das propostas da "democracia comunista/nazista" que listei mais acima. Faltou só dizer formalmente que eles poderiam matar qualquer um que se interpusesse entre eles e o "futuro do país". Mas isso eles faziam informalmente.

Quantos jovens idealistas foram ceifados no auge de sua vida por terem sido cooptados por um dos dois regimes autoritários que mascaravavam sua vilania em nome da liberdade?
De um lado os Militares, controlando com mão-de-ferro o país com a desculpa de evitar uma ditadura comunista.

De outro, os comunistas, desejando o poder à todo custo, enquanto diziam lutar pela liberdade.
E o que vivemos foram trevas. E essas trevas, como um Dementador, sugaram toda a alegria de viver do brasileiro.


E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma impotência.

Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre "as malas do Golbery" ou "as comissões das turbinas", "as compras de armamento". Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.

E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.

(Hildegard Angel)

O futebol foi usado como válvula de escape. Nem a seleção brasileira escapou do controle militar. Na copa de 70, quando o presidente/general Emílio Garrastazu Médici disse que Dadá Maravilha precisava ser convocado, o treinador João Saldanha respondeu: "nem eu escalo o ministério, nem o presidente escala o time". Pouco tempo depois foi demitido e substituído pelo Zagallo. A imprensa também foi completamente controlada:

"O exercício do jornalismo não é confortável sob ditaduras, embora se saiba que veículos de comunicação influentes apoiaram o arbítrio e até se enriqueceram com ele. Com o AI-5, a autocensura virou censura aberta, explícita. Há um episódio que me traz uma afetuosa recordação: Eu trabalhava no Jornal da Tarde, em São Paulo, naquele nefando 13 de dezembro de 1968. A redação ouviu, consternada, a leitura do AI-5 pelo rádio. Fomos avisados que um censor passaria a ler o jornal antes de sair às bancas. Teria um lugar para ele nas cercanias de nossas mesas. Naquela noite, quando o censor chegou, a redação em peso saiu. Fomos para a calçada (os mais famintos aproveitaram para se saciar com aquele magnífico sanduiche de pernil do Bar Estadão). Depois, voltamos ao trabalho."

(Nirlando Beirão)

Toda forma de expressão cultural era controlada e censurada. O grande desafio (ou diversão) dos artistas era conseguir diblar a censura e criticar (de forma velada) a situação. O músico Tom Zé conseguiu colocar um c* na capa de um disco, só pela zoação. Secos & Molhados, de Ney Matogrosso, conseguia esconder melhor que ninguém sua rebeldia e suas críticas por trás de muita bizarrice. Mas o mestre da metáfora era mesmo Chico Buarque que, com suas letras precisas, conseguia traduzir o espírito daquela época até mesmo para os dias de hoje, para as novas gerações que - felizmente - nunca a viveram, mas ironicamente pedem seu retorno.

Uma música lançada em 1968 foi a que mais marcou este período: franca, direta, ela serviu de hino para toda uma geração de jovens que lutava pela abertura política: "Caminhando e cantando (Pra não dizer que falei das flores)" foi composta e cantada por Geraldo Vandré. A música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record, e através dela Vandré clamava o público à revolta contra o regime ditatorial e ainda fazia fortes provocações ao exército, como no trecho: "Há soldados armados / Amados ou não / Quase todos perdidos / De armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam / Uma antiga lição: De morrer pela pátria / E viver sem razão".



Era comum nessa época pessoas desaparecerem. Stuart Edgar Angel Jones, o Tuti, foi torturado até a morte dentro do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. Amarram-no a uma viatura, com a boca colada ao cano de escapamento. Daí deram voltas no pátio. A viatura acelerava e freava. Tuti, com a pele esfolada, tossia forte. Seu corpo nunca foi encontrado. Sua mãe, Zuzu Angel, ficou conhecida no Brasil e no mundo por ter botado a boca no trombone e denunciado o desaparecimento do filho. Sua busca só terminou com sua morte, num controverso acidente de carro.

Ano passado morreu de suicídio a vítima mais jovem da Ditadura Militar: Carlos Alexandre era um bebê de 1 ano e 8 meses quando foi torturado. Levou uma bofetada na cara que cortou seus lábios, porque chorava de fome. Foi jogado no chão e bateu a cabeça. Levou choques elétricos. "Para mim, a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social." escreveu Carlos, muito tempo depois. Tudo isso aconteceu porque os policiais encontraram na casa dos seus pais um livro intitulado "Educação Moral e Cívica & Escalada Fascista no Brasil" e o consideraram uma injúria às autoridades. A mãe ficou presa por 40 dias. O pai ficou 4 meses, sendo torturado. Eles foram processados – e absolvidos – sob a acusação de tentar difamar o Estado brasileiro.

Nada brando pra quem viveu. Vocês têm alguma dúvida de que eu (ou mesmo vocês) por conta desse blog não seria levado pro DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e torturado? Eu nunca tive.
João Figueiredo, o último presidente do regime militar (1979-1985) acusava Getúlio de ser o verdadeiro pai da ditadura: "No Brasil, quem inventou golpe de Estado, prisão de político, fechamento de Congresso e senador 'biônico' não fomos nós, os milicos, e sim a mente maligna do Getúlio Vargas."

Parece um certo partido de hoje, justificando o injustificável.

Referência:
Fundação Getúlio Vargas: Fatos & Imagens do AI-5;
O suicídio de Carlos Alexandre, torturado durante a ditadura;
Carta Capital: Especial 50 anos do golpe


Fonte http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2014/12/ditadura_milita.html

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